quinta-feira, 25 de junho de 2009

Rádio Guaíba FM comemora 52 anos de Fernando Veronezi na casa

- da redação.

Porto Alegre, RS - Muitos dos ouvintes que sintonizam o dial 101.3 MHz para relaxar e desfrutar da programação da Guaíba FM não sabem que por trás dela está um trabalho de mais de meio século de pesquisa sobre a Música e seus mais variados artistas e estilos. E que o programador musical Fernando Veronezi é a alma deste conhecimento, acumulado desde a fundação da Rádio em 1957.

“No primeiro instante em que passei a integrar o quadro de funcionários da então ZYU-58 passei a me considerar em meu segundo lar”, conta o programador musical, que neste mês de junho completa 52 anos de emissora. “Um dos momentos marcantes de minha vida foi quando, no primeiro dia de trabalho, fui apresentado àquele que até hoje considero o homem mais notável que conheci, tanto como cidadão como profissional: Arlindo Pasqualini. Infelizmente convivi com ele por apenas sete anos, até sua morte em 1964, quando ele estava com apenas 53 anos de idade”, diz Veronezi.

O início desta trajetória está bem vívido em sua memória. “Comecei minhas atividades como operador de mesa e, 15 dias após minha chegada – atendendo a um convite de Osmar Meletti – já estava na Discoteca ajudando na elaboração da programação musical”, relembra. “Dois meses se passaram e assumi também a Central Técnica, passando a exercer minhas várias funções por até 15 horas por dia. Meu maior prazer era estar aqui, colaborando em todos os setores para os quais era escalado”, completa.

O dia em que passou a trabalhar como sonoplasta, tendo entre seus colegas Flávio Alcaraz Gomes, é um dos momentos considerados inesquecíveis por Veronezi, assim como a data em que a Guaíba FM fez sua primeira transmissão. “Em 22 de fevereiro de 1980, à convite do Dr. Breno Caldas, fiz parte da equipe que colocou no ar a FM, então sob a direção do capitão Erasmo Nascente. Avisado com apenas sete dias de antecedência de que a emissora iria ao ar e sem discos suficientes em sua Discoteca, fui obrigado a trazer material do meu arquivo particular”, revela.

Em relação à seleção das músicas que fazem parte da programação da Guaíba FM, Veronezi não nega que a escolha é baseada exclusivamente em seu gosto pessoal. “Trabalho com música desde os meus tempos de Rádio Difusora (PRF-9), em 1953, e foi lá, juntamente com um programador chamado João Carlos Scherer – conhecido como Wilsinho – que tracei minha linha musical. Mais tarde, graças ao saudoso Osmar Meletti, tratei de aprimorá-la ainda mais, a fim de atender as exigências do público conquistado pela Guaíba”, fala o programador. “Hoje não faltam pessoas que me chamam de "mofo", porém a verdade é que a boa música, a música de qualidade, não tem idade. Sou um fanático pela música instrumental que, infelizmente nos dias atuais, com a morte dos principais maestros, solistas e arranjadores nacionais e internacionais atravessa momentos medíocres. O mesmo acontece com a música cantada contemporânea que, com letras de baixíssimo nível não conseguem me cativar”.

Seu gosto apurado já lhe rendeu elogios até mesmo de colegas de outras empresas de comunicação. “Fiquei muito emocionado quando, em 1995, o Paulo Santana, em sua coluna da Zero Hora, teceu elogios ao programa Noturno Guaíba. Tive oportunidade de falar apenas uma ou duas vezes em minha vida, mas sou grato pelo reconhecimento”.

Dono de uma opinião respaldada pelo hábito da pesquisa musical, Veronezi cita o fenômeno do crescente número de obras voltadas aos grandes standards da música. “São exemplos os recentes discos de cartazes nacionais e da turma jovem, como Rod Stewart, Carly Simon, Michael Bolton e tantos outros que apelaram para repertórios dos anos 30, 40 e 50 do século que passou e que, graças a arranjos modernos, transformaram seus discos em recordistas em vendas”. Quando questionado sobre seu conhecimento abrangente no assunto, o programador – que não costuma ouvir música em casa – responde: “alguns dizem que o Veronezi entende música. Não, pois entender de música cada um entende a sua maneira. Quanto a mim, só posso afirmar que conheço muita música, pois, após 56 anos trabalhando com ela não poderia acontecer o contrário, senão já estaria demitido”, ri.

Mesmo nos momentos de crise, Fernando Veronezi manteve-se na emissora. “Até hoje não consigo destacar os melhores momentos da minha vida profissional, nem mesmo o sentimento de dor que vivi nos anos 80, época em que, juntamente com alguns colegas que resolveram não abandonar o barco e enfrentar as dificuldades apesar dos convites recebidos para me transferir para outras rádios, permaneci na Rádio”, afirma. “Ficamos para apagar as luzes... até que, finalmente, em maio de 1986 a Guaíba foi adquirida pelo Dr. Renato Bastos Ribeiro. Hoje, sob a direção do Grupo Record RS, sigo em minhas funções, cercado de amigos e de novos chefes que me apoiam de todas as maneiras e que sempre estão me incentivando e cercando de carinho, mesmo com a minha "velhice". São 73 anos de idade, mas jamais perdi o entusiasmo, pois meu amor a essa emissora somente acabará quando minha vida se apagar”, finaliza



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Fonte: Rádio Guaíba